Ciência e fé são compatíveis?
Nosso cotidiano é profundamente influenciado pela ciência. Percebemos isto ao atentar para o copo de água tratada que bebemos ou o telefone celular com o qual nos comunicamos.
Mas a fé também tem profundo impacto em nossas vidas. Max Planck, pai da teoria quântica e ganhador do prêmio Nobel de Física de 1919, testemunha que “… desde a infância a fé firme e inabalável no Todo Poderoso e Todo Bondoso tem profundas raízes em mim.
De certo seus caminhos não são nossos caminhos; mas a confiança nele nos ajuda a vencer as provações mais difíceis”.1 A importância da fé também foi reconhecida pelo pintor impressionista Auguste Renoir, que ao comentar certas obras de grandes pintores disse:
“Nas obras de antigos mestres jaz uma confiança suave, serena. Ela provém duma conduta despretensiosa, simples, que não existiria sem a fé religiosa como motivo primeiro.
O homem moderno, porém, enxotou Deus — e assim perdeu segurança”. O “enxotar Deus”, como Renoir o expressou, é motivo para propagar um falso conflito entre fé e ciência.
Este falso conflito é contundentemente denunciado pelo sociólogo Rodney Stark, que com base em pesquisas sólidas demonstra a inverdade e o forte viés ideológico de afirmações como: “Fé religiosa é uma manifestação primitiva que desaparece com o a difusão da ciência e tecnologia”, “Religião é oriunda de ilusões e neuroses” ou “Religião é, genericamente, instrumento de manipulação2″. Richard Feynman (prêmio Nobel de Física de 1965), embora não-cristão, concorda que “muitos cientistas crêem na ciência e em Deus, o Deus da revelação, de uma forma perfeitamente consistente.”
De fato pode-se citar muitos cientistas que consistentemente combina(ra)m uma fé bíblica com uma atividade científica de ponta. Irei citar apenas mais três. Primeiro, André Marie Ampère, cujo nome ficou para sempre associado à unidade de corrente elétrica, e que recomenda: “Estude as coisas deste mundo, é tua profissão; mas olha-as apenas com um olho e fita o outro permanentemente na luz eterna… Escreva apenas com uma mão; com a outra te segura na veste de Deus assim como uma criança se segura na veste de seu pai”.
Em segundo lugar, Louis Pasteur, o grande microbiólogo francês do século XIX, entendia a busca pela verdade na ciência e na fé como inter-relacionadas e afirmou: “Proclamo Jesus como filho de Deus em nome da ciência. Meu espírito científico, que dá grande valor à relação entre causa e efeito, compromete-me a reconhecer que, se ele não o fosse, eu não mais saberia quem ele é… Suas palavras são divinas, sua vida é divina, e foi dito com razão que existem equações morais assim como existem equações matemáticas”.
O terceiro seria Arthur L. Schawlow, prêmio Nobel de Física de 1981, que disse: “… eu encontro uma necessidade por Deus no universo e em minha própria vida… Somos afortunados em termos a Bíblia, e especialmente o Novo Testamento, que nos fala sobre Deus em termos humanos muito acessíveis, embora também nos deixe algumas coisas difíceis de entender”.
No Novo Testamento, que nos fala de Deus e de sua manifestação visível em Jesus Cristo, o apóstolo Pedro diz: “Não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade.”
(2 Pe 1.16) Esta preocupação com a autenticidade e a verdade é comum a todos os textos da Bíblia e torna sua mensagem compatível com a ciência praticada por cientistas como Ampère, Pasteur e Schawlow. Karl Heinz Kienitz